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02set
Não me sinto a pessoa mais preparada para abordar o assunto da enxurrada de aceleradoras que estão surgindo no Brasil, mas acredito que consigo adicionar valor com a minha opinião por conta da pouca experiência que tenho com o assunto.
Há dois anos era claro que havia um gap muito grande entre quem queria levantar rounds institucionais no Brasil. Ainda bem que essa janela está fechando e há gente séria fazendo acontecer, mas também existem iniciativas que são uma pura palhaçada.
Se você está em busca de outra ótima opinião, recomendo o artigo da Silvia Valadares para a PEGN sobre o assunto.
- Trabalho para a Sendgrid (funcionário 40 – Setembro 2011 -, temos 106 pessoas hoje) que é a mais bem sucedida startup da Techstars se você considerar os seguintes KPIs: trailing em receita anual de dois digitos de milhões de dólares em menos de 3 anos e disparada de longe com os maiores rounds (series A & B) da história do programa. E estou ativamente envolvido no nosso programa de parcerias com VCs e Aceleradoras
- Ajudo a produzir eventos para movimentar a cena early-stage de startups com a Slumdog Beta (Campus Beta & SPBeta) e Happy Hours exclusivos com investodores e aceleradoras parcerias, como a TreeLabs
- Vendi a primeira startup da minha vida para o Buscapé dentro dos moldes do Sua Idéia Vale 1 Milhão, que de certa forma é uma aceleradora corporativa com seus benefícios e defeitos
- Tenho a honra de ser mentor em duas aceleradoras brasileiras TreeLabs e SuperNova
Sobre os aspectos positivos das aceleradoras no Brasil
1 – Incentivo ao empreendedorismo de forma generalista
Uma das coisas mais difíceis é começar uma empresa, levar ela do “0 ao 1″, levantar capital, abrir canais de receita, escalar o time e desenvolver um produto que vá mudar a vida das pessoas. Quando há pessoas dispostas a ajudar empreendedores de primeira viagem ou que criam uma espécie de “safety net” para quem decide pular para o lado samurai da força isso é muito bom e dá força geral ao ecossistema. Um tipo de apoio e discurso inexistente há algum tempo.
2 – A vinda de empreendedores de sucesso de outras indústrias para a internet
É evidente que o nosso mercado possui muitas particularidades, mas tenho visto com muita gente de outros mercados (commodities em geral, publicidade ou bancos) querendo pular para internet ou ao menos seriamente ‘brincar’ de startup.
Esse pessoal não digital altamente bem sucedido precisa de um lugar para começar a aplicar seu capital e conhecimento. Acredito que as aceleradoras sejam um lugar perfeito para isso. Seja para mentoria ou para ter esse pessoal como LP do seu fundo.
3 – Aparecimento de desconhecidos bem sucedidos
Muita gente que desconhecemos está ativa em algumas aceleradoras e tem muita história para contar. Desde os tempos de 1999 (Lembra das 1st Tuesdays?) até gente que nos últimos anos ganhou milhões com 10+ anos de trabalho, quando ainda se distribuiam CDs coloridos da AOL no Brasil. Essa geração está sedenta para ajudar e ter visibilidade na nova fase.
4 – Geração de Dealflow para fundos maiores
Talvez o ponto mais importante e o papel crucial de sucesso para as aceleradoras. Como esses programas tem duração super curta, a relação com investidores e um demo day que de fato faça os donos do dinheiro dizerem “uau, quero conversar com esse empreendedor” é fundamental. Fundos maiores querem ser capaz de associar um empreendedor com a “marca” X ou Y de uma certa aceleradora, como um pre-due dilligence de competência. Te garanto que faz uma diferença gigantesca você se apresentar como uma startup da “Techstars” versus uma startup. Contudo é o ovo e a galinha, e até agora nenhuma aceleradora do Brasil se provou capaz de ter empreendedores levantando uma series A significativa.
Infelizmente os pontos negativos são maiores do que os positivos, mas acho importante fazer uma crítica construtiva
1 – Morte ao consultor profissional
Não vou citar nomes por aqui, mas a quantidade de pessoas que se tornaram consultores do empreendedorismo sem nunca terem feito uma só empresa de software ou trabalhado em corporações como Google, Facebook, TOVUS, Microsoft ou tido uma grande história de sucesso é lamentável.
Profissionais que se dizem “agentes de conexão” entre mentores e investidores em troca de equity realmente fazem um desfavor ao nosso cenário de startups, que de tão imaturo, aceita esse tipo de situação. Esse é o tipo de gente que alimenta nosso mercado com uma mistura de mediocridadde e buzz words.
O consultor profissonal que “ensina” inovação, lean e ajuda a conectar o empreendedor com funding está a solta e a procura de empreendedores romanticos o suficiente para acharem que isso é um bom negócio. Alguns ainda cobram uma comissão após um possivel round.
Acho que vomitei na minha boca.
O empreendedor que se dilui por pura e simples apresentação a mentores e consultoria, merece o consultor que tem. É o beco startup, a absoluta base da piramide na cadeia alimentar do nosso mercado e faz a sua startup a gazela, não o leão.
2 – Falta de padrão generalizado para o mercado e dentro das próprias aceleradoras
Existem muitos fatores que fazem da Techstars e Y Combinator caminhos de sucesso para 75% de seus participantes. Um deles é a padronização do que é oferecido para os empreendedores. Um percentual pré-definido de convertible notes (se você não conhece o termo, clique aqui) e um valor financeiro por founder. É simples assim.
Isso é fundamentalmente importante para garantir o tratamento igual entre todas as startups desde o dia um do projeto. Ouvi alguns gestores de programas de aceleradoras oferecerem propostas diferentes para empresas da mesma turma. Isso gerará no futuro sérios conflitos de interesse e demonstra total falta de planejamento de quem está criando o programa.
Cuidado também com programas que diluem o empreendedor, mas não oferecem support funding durante os meses do projeto. Me pergunto para essas aceleradoras, como o empreendedor deve se sustentar? Afinal de contas você está recebendo equity.
3 – Marketing para o empreendedor de primeira viagem
Aceleradora que diz que é a primeira a fazer algo que já existe no mercado (como turmas temáticas), focada em um determinado nicho de ou com um discurso sustentável e transformador. Sou neutro com relação aos discursos nesse caso, só acho importante você como empreendedor analisar as pessoas que pretendem ajudar a sua empresa a decolar e procurar padrões comparativos com os Estados Unidos. O discurso “a mas estamos no Brasil” não deve ser aceito como desculpa para oferecer menos para o empreendedor.
4 – Incapacidade de alimentar parcerias estratégicas para as empresas do portfolio
Trabalho com business development, que nada mais é do que um nome para vendas a longo prazo e parcerias estratégicas. Além dos mentores, é fundamental que a aceleradora que você está entrando possua relações próximas com empresas líderes de mercado em seus respectivos nichos. No último demo day da Techstars Boulder, 100% das empresas que se apresentaram já possuiam parcerias estratégicas com líderes de mercado. Faça esse tipo de pergunta antes de entrar na aceleradora.
5 – Follow on Funding de qualidade para ao menos 30% do portfolio
Talvez um dos fatores mais críticos para o momento que o Brasil está. Startups aceleradas precisam conseguir levantar uma Series A logo após o demo day. Ao menos 30% de cada turma deve ser capaz de atrair capital institucional. Ainda é cedo para ter uma estatística sobre essa questão, visto que há poucas turmas formadas. Mas acredito que essa é uma das mais importantes métricas de sucesso.
6 – Cuidado para a aceleradora que você faz parte acabar antes mesmo da sua empresa
Trabalho ativamente no mercado de PaaS na Sendgrid e um dos principais riscos desse mercado é o fato de que Hosting em PaaS é uma escolha fácil e instável, devido a atividades de M&A. Ou seja, alguém que você faz uma parceria hoje, pode se tornar seu concorrente amanhã.
Essa instabilidade é real para o mercado de aceleradoras. Em primeiro lugar pois a maioria delas vai falhar e não irá a lugar algum. E não sou eu que estou dizendo é o Kauffman Fellows program. O fato do David Tisch ter saído da Techstars NYC também é outro indicativo de que a sustentabilidade nesse mercado pode se tornar algo mais complexo do que parece.
Pense que a sua empresa é um projeto a longo prazo, que não existe sucesso do dia para a noite e que há muita gente bêbada com o kool-aid do filme do Facebook nesse momento no mercado, comendo mortadela podre e arrotando promessas de termsheets cheirosos.
O projeto de uma aceleradora deve ser ainda mais longo do que o da sua empresa. Muito business karma para você, independente do lado que você esteja.
Keep on hustling, 1% melhor a cada dia.

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http://twitter.com/castroalves Cadu de Castro Alves
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