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19out
Brad Feld é o “godfather” da comunidade de empreendedores de Boulder. Um super-mentor e investidor.
Alguém que poderia estar jogando golf e passeando de iate, mas prefere contribuir com novos empreendedores oferecendo mentorship e capital.
Ele resolveu se mudar de Boston para o Colorado não por uma questão de negócios, mas por conta do estilo de vida saudável e ativo que existe por aqui. Em Boulder, não importa a temperatura ambiente, sempre há algo para se fazer a céu aberto.
O conheci em um evento da Silicon Flatiron (associação da Colorado University que promove encontros e debates entre empreendedores). Após o término da palestra em questão, me aproximei avisando que era estudante da @bdwcu e correspondente para alguns veículos do Brasil. Sem pestanejar, ele me deu seu cartão de visitas e disse: “me mande um e-mail que marcamos um horário no meu escritório”.
Já sabia que Brad era um dos grandes líderes da comunidade de empreendedores de Boulder. Até porque a última coisa que você precisa para descobrir isso é se mudar para cá. Todos empreendedores e investidores o conhecem.
Ele é o Sócio-Diretor do Foundry Group, uma empresa de Venture Capital que possui U$225 milhões em caixa e tem no seu portfólio de investimentos home-runs como a Zynga. Além disso, Brad é co-founder da TechStars*, uma associação que faz mentorship e oferece seed capital para empreendedores de primeira viagem. Um projeto incrível.
Tinha cerca de 30 minutos com Brad e resolvi aproveitar para discutir um pouco sobre todos os assuntos que tem sido pautados na cena de empreendedores de tecnologia. Por isso vou dividir o restante do texto nos tópicos que conversamos.
Start-up Visa: limitações, momento atual e motivações
Já existe um grupo coeso de Investidores, acadêmicos e professores que apóiam a iniciativa. Contudo, nenhum dos principais envolvidos é político e quando se fala em criar uma nova categoria de visto e o assunto chega em Washington, todos têm uma opinião para dar. Todo processo político é lento.
O envolvimento de Brad com o movimento começou quando ele postou em seu blog sobre um caso de empreendedores do Reino Unido que participaram do programa da Techstars, mas tiveram que voltar para seu pais de origem pois não havia nenhum tipo de visto que se enquadrava na categoria “futuro empreendedor de sucesso que vai gerar empregos”.
A resposta da comunidade foi muito positiva. Todos os elos da corrente responderam. De empreendedores a investidores, todos concordam que “o empreendedor deve ter a liberdade de começar seu negócio onde desejar. E se eles podem fazer isso nos Estados Unidos, melhor ainda.”, afima Brad.
A questão do timing é crucial para essa questão. Empreendedores não possuem U$ 25,000 e oito meses para aguardar a situação se regularizar (tempo médio que advogados de imigração deram como prazo para o caso). O tempo é um dos assets mais valiosos para um empreendedor. Especialmente no mercado de tecnologia.
Cena de Empreendedorismo em Boulder
Brad vive em Boulder há 15 anos, mas o motivo da mudança não foi relacionado ao mundo dos investimentos. “Quando eu e Amy (sua esposa) nos mudamos para cá, conhecíamos apenas uma pessoa”. O resultado é que a cena a qual ele e outros investidores ajudaram a construir em Boulder tem crescido, e muito.
Se olharmos ao redor do mundo há várias iniciativas que tentam copiar o modelo do Vale do Silício, contudo esse tem se mostrado um beco sem saída, pois acabam sendo comunidades que não conseguem se sustentar no longo prazo. Simplesmente não há fôlego suficiente. “É um grande erro para qualquer comunidade de empreendedores tentar copiar o Vale do Silício. Ele é um lugar especial com características únicas que tem sido desenvolvidas nos últimos 50 anos. Contudo, acredito que podemos aprender muito com o Vale e acho que todas as comunidades de empreendedores devem estudar e aprender com o que acontece por lá”, explica.
O segredo para desenvolvermos um ecossistema que receba inovação, capital de risco e aceitação do fracasso aparentemente reside em uma estratégia no longo prazo. “Para mim é preciso cerca 20 anos para realmente desenvolver uma comunidade que se sustenta. O problema que pode acontecer no meio do caminho são empreendedores altamente bem sucedidos que simplesmente abandonam a cena e vão fazer outra coisa, sem contar problemas econômicos que podem surgir no meio do caminho”. Por isso Brad acredita que alem dos 20 anos de trabalho duro, o ecossistema precisa ter mais 20 empreendedores bem sucedidos tocando o barco.
O resultado de um pensamento como esse pelos últimos 15 anos é, na minha opinião a diferença entre o Vale do Silício e Boulder. Aqui a comunidade é muito mais aberta. Você rapidamente se conecta com todos e consegue seu lugar ao sol, seja um empreendedor ou investidor. Acredito que um fator que contribui para isso é o tamanho. Por ter menos gente envolvida, é mais fácil conhecer todo mundo. Talvez esse seja um dos motivos que tem levado muita gente a vir para Boulder ao invés de Palo Alto, como a Fox Business retratou.
Investimentos Fora dos Estados Unidos
A verdade é que a maioria dos investidores americanos ainda dão preferência para o mercado local. Todos sem dúvida são muito curiosos sobre o que acontece nos BRICs, mas a preferência final fica com empresas que possuem escritórios nos Estados Unidos, ao menos inicialmente. “Eu já fiz investimentos na Europa e na Ásia, mais tive dificuldades em ser um investidor internacional por uma combinação de fatores. Foi uma mistura de barreiras culturais, compreensão da dinâmica do mercado e a maneira como o Foundry se envolve com as empresas investidas também foi um fator importante”.
Como encontrar um Co-Founder Ideal para a sua Start-up?
Eu comecei a me fazer essa pergunta várias vezes desde que me mudei para cá. A verdade é que um sócio precisa ser alguém que não apenas tem características opostas as suas, mas complementares. “Para mim as melhores equipes de empreendedores são uma mistura entre profissionais técnicos e não técnicos. O erro é quando você tem mais pessoas de negócios ao invés de profissionais técnicos. Você precisa ter um bom mix”, explica Brad.
Sobre a polêmica do Super Angel Gate
Essa história teve início um polêmico post do Michael Arrington (Editor do TechCrunch) dizendo que havia um grupo de angels fazendo cartel na hora de avaliar start-ups. O assunto gerou bastante repercussão e Fred Wilson da Union Square Ventures, disse ao GigaOm que agora há mais pessoas no mercado de Venture Capital e Angels, a competitividade aumenta e pode haver dificuldade em ficar sabendo dos melhores deals.
“Estou completamente perplexo com toda essa história. Tenho feito investimentos seed e como Angel desde de 1994. Eu simplesmente não vejo qual é o problema. Agora as pessoas estão prestando mais atenção pois há angels fazendo ótimos negócios no momento, mas transformar um jantar em uma acusação controversa é bizarro para mim. O empreendedor quer ter a maior quantidade de capital disponível para a sua empresa. A idéia de que um grupo específico pode controlar o mercado é ridículo”, finaliza.
Confira abaixo o vídeo completo da entrevista que fiz com o Brad Feld
Gostaria de agradecer ao @baxtervision pela edição e a ajuda da @bdwcu em ceder a câmera, tripé e microfone.
*Brad Feld e David Cohen (CEO da TechStars) recentemente lançaram o livro Do More Faster. Já tenho entrevista marcada no escritório da Techstars com o David, só para falar do livro.

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